domingo, 31 de janeiro de 2010

the secrets behind the genius: "lagerfeld confidential"


"Que confusão!" Na minha cabeça, seria sempre assim que imaginava a casa de um grande criador, de um verdadeiro génio, mas nunca a de Monsieur Lagerfelf, traços vincados, óculos escuros a esconder o rosto seja-dia-ou-seja-noite, pouco amigo de sorrisos e desordem. Os loucos, como Dali, que fazem as grandes invenções, podiam morar no apartamento parisiense do homem que há mais de 25 anos comanda os destinos da Chanel: onde seria o quarto de dormir, tralha e mais tralha, dezenas de livros e revistas, e no meio de tudo, a cama, perdida entre um lcd, pouco espaço para alguém se mexer e mais livros, mais revistas... Que caos apetecível! E de repente uma profusão de i-pods por todo o lado, um, dois,..., seis, sete... dourados, brancos... um vício interessante, não? Já para não falar nos anéis prateados, que usa em todos os dedos das mãos - mais de cem? Parte da colecção acompanha-o nas suas viagens, para que possa escolher quais pretende usar. Tal como os colarinhos brancos, os famosos colarinhos brancos que usa dia-sim-dia-sim: duas gavetas cheias de trapos que a mim me parecem todos iguais, e chariots de blazers pretos, o mundo de Karl está organizado de acordo com a imagem que criou para uma legião de seguidores.
Num documentário onde mostra mais do que seria de esperar, confessa: "apenas tenho as ideias, não tenho nenhuma paciência nem capacidade para fazer os vestidos", em alusão ao trabalho das costureiras. Mas, convenhamos, o seu trabalho é tudo menos vulgar. Além da Chanel, tem a sua própria marca, Karl Lagerfeld, e ainda é director criativo da Fendi; começou a interessar-se por fotografia e, desde há uns anos, é ele o responsável pelas muito bem sucedidas campanhas de publicidade das casas que tem a seu cargo - "amo publicidade", confessa. Atento a todos os detalhes, é o homem que todos querem conhecer. Como se fosse o centro de um mundo. Ele, claro, está tranquilo. Garante que precisa de solidão, porque é impossível criar sem momentos a sós, que lhe permitam ler, reflectir, e assegura que não tem medo de estar sozinho. Mais, consegue cortar relações "com mais de 30 anos" de um momento para o outro porque, no seu dicionário, "não existe a palavra perdão". É um homem com visão, decidido, para quem o sucesso tem de ser renovado a cada nova estação. Detesta pessimistas. Mas no meio de tudo, não larga a sua almofada velha, com uma locomotiva que já quase não se vê, tantos são os buracos de traças ao longo de todos estes anos. Vai com ele para todo o lado. Afinal, até no mundo de Karl Lagerfeld existe alguma nostalgia... 

4 comentários:

RFSPblog disse...

Olaa!

Onde e que conseguiste ver o filme?
Encontras-te a venda?
Já perguntei na fnac mas nada!!

Podias esclarecer-me? SFF!

Bju

Miss K. disse...

à venda, até agora, só vi na amazon. tive de me socorrer dos métodos "tradicionais": download da net! vi em francês, sem legendas, mas para quem teve uns anos da língua tá óptimo! bjs

xana disse...

UAU A não perder mesmo...

Lála disse...

tenho que ver também, ahah